on quinta-feira, 2 de junho de 2011
Entre o científico e o artístico

Nos dias 21 e 22 de maio, aconteceu na Escola de educação física da UFRGS, Porto Alegre /RS, o II Encontro Nacional de Pesquisadores em dança da ANDA¹. Esse encontro reuniu interessados pela pesquisa em dança de diversas regiões do país e se organizou a partir do eixo temático Contrações Epistêmicas, que foi dividido em seis comitês temáticos: Produção de Discurso Crítico sobre Dança, Dança e Mediações Educacionais, Dança e (m) Política, Dança em Configurações Estéticas, Interfaces da Dança e Estados do Corpo e  Memória e Devires em Linguagens de Dança.

Com a experiência de participar desse encontro, somado à discussões polêmicas levantadas no mesmo fim de semana e desdobradas em outros “encontros” no nosso dia-a-dia, percebo a potencialidade de questionar, polemizar e discutir coletivamente as inquietações que surgem no particular. Interessada em continuar refletindo a partir das trocas coletivas, levanto aqui uma inquietação que reaparece mais intensamente  em mim durante estes dias e que, pelo que acredito, é relevante ser manifestada em nossas escolhas artísticas.

Existem impedimentos para fazer arte/dança unindo conhecimento científico e um fazer artístico que se aproxime do público? Qual a dimensão desse impedimentos e qual a importância de pensar sobre e fazer essa relação entre científico e artístico?


Abraços,
Raquel Bombieri

¹ Mais informações sobre o ANDA (Associação nacional de pesquisadores em dança) ou o encontro você encontra aqui: http://www.danca.ufba.br/anda/index.htm .


4 comentários:

Anônimo disse...

Oi Raquel

Acho mto importante vc colocar essas perguntas visto que a produção em dança sempre esbarra em certos tipos de enquadramento.

Esse questionamento sobre arte e ciência aproxima e reforça a ideia de dança como uma rede intercomunicante de saberes e suas especificidades. A construção em dança a partir desse diálogo entre arte e ciência possibilita que todo e qualquer conhecimento possam se colocar em questão para serem testados e se desdobrarem para a construção dos acordos artísticos.

Acredito que quando vivenciamos essa aproximação, e não a sua igualdade forçada, entendemos a complexidade de articulação que a dança é capaz de produzir e comunicar. Assim criamos dança capaz de situar-se com quem e onde é desenvolvida.

Bjo
Mabile

Carolina Nadai disse...

Olá Raquel, Mabile e outros interessados na discussão...

Que bom compartilhar com vocês!
Ao ler este questionamento na hora me lembrei de Boaventura de Sousa Santos, e de cara indico a você, Raquel, “Um discurso sobre as ciências”, e se estiver mesmo animada com a discussão, encare “A gramática do tempo”, que inclusive já engloba muitas questões do primeiro livro que sugeri, pois o próprio autor cita a sim mesmo em diversas situações.
Concordo com Mabile quando se refere à noção de aproximação dessas ideias (artístico/científico) e não sua igualdade forçada; pois o mais interessante e rico é, justamente, que se entenda que não são iguais e que podem/devem se relacionar. Boaventura não é um estudioso de dança, é sociólogo, mas sua fala abrange a todos que estejam interessados em compreender mais o universo acadêmico, o conhecimento científico, as epistemologias... E por esse motivo, ele enfatiza muito a necessidade do CONHECIMENTO NÃO CINETÍFICO, afirmando que o CONHECIMENTO CIENTÍFICO depende do NÃO CINETÍFICO para existir – “Todo conhecimento é contextual mas o contexto é uma construção social, dinâmica, produto de uma história que nada tem a ver com o determinismo arbitrário da origem” (SANTOS, 2008, p.45).
Portanto vejo como nossa responsabilidade (ou seja, daqueles que estão atentos e preocupados com este tipo de questionamento) o exercício de diálogo com o outro, com a diferença. Se o banqueiro não souber dialogar com o camponês, se o doutor não souber dialogar com o analfabeto, enfim se as diferenças não se relacionarem, estaremos perdendo muitas chances de aprender, pois os saberes e as ignorâncias são relativos aos contextos, não devem ser julgados, e sim compartilhados – sempre seremos ignorante de algum saber, assim como sempre teremos algum tipo de conhecimento que possa ser compartilhado; aí, então, só tendemos a ampliar todos os tipos de conhecimento: sejam eles científicos, artísticos, populares, etc.

Raquel disse...

Oi gente!

Bem legal os comentários de vocês, ajudam a esclarecer e multiplicar minhas questões e reflexões sobre o assunto!
Cacá, muito bom você ter citado esse autor, já estou começando a ler ele, obrigada!

beijos

Carolina Nadai disse...

Que bom!

Aquele abraço (saudoso)

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